domingo, 8 de junho de 2008

Nietzsche, seu mentiroso!!! Morreu nada, espia...

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- Ah, nheim... O Senhor aqui, de novo?

- Onipresença, uai.

- A porta que eu acabei de bater deve ter acertado o seu divino nariz, então. Trem bão!

- Você anda histérica.

- E o Senhor, senil.

- Você está correndo demais.

- Ui. Meda de morrer, é? Tsc... tsc... tsc...

- Não quero falar das Minhas intimidades no momento.

- Tem razão, vai que alguém escuta, né? Vai pegar mal se cair na boca da gentalha que o Super Papito esposou a Vida, mas se regala mesmo é com sua amante temperamental – Donna Morte.

- Você já tem idade pra entender que a morte é um orgasmão, e seria muito injusto Eu me privar da minha melhor invenção (a única que deu certo, aliás). Você não ia querer ver em mim um celibatário com cara de santo, ia?

- Não estou a fim de falar palavrão agora, logo, abstenho-me de responder. Vais tomar um vácuo. Ecco!

- Naquela linguagem jurídica que você “adora”, quem pode o mais, pode o menos. Se os filhos de Deus podem, Eu posso também posso, ora bolas.

- Ah, puta que pariu... e aquela palhaçada de “não cobiçarás a mulher do próximo”? Sua Cara não queima não?

- Tenho nada com isso, aquilo é fruto de plágio. E mal feito ainda por cima. O que eu disse mesmo, ninguém ouviu. E eu disse: "não copiarás a mulher do próximo." Cobiçar, beliscar, mordiscar, bolinar, fornicar e outros "...AR" de igual natureza sempre estiveram liberados.

- Odeio plágio.

- Coisa do Demo, minha filha... do Concorrente. Capitalismo, cê sabe...

- Divina O-M-I-S-S-Ã-O, o Senhor sabe...

- Nem vem... “cada um no seu quadrado”.

- Era só o que me faltava!!! Deus funkeiro. Mereço. Chega de conversê, vamos ouvir Tracy Chapman que é melhor.

- Eu quem fiz!

- É... quando o Senhor quer, o Senhor capricha. Mas custa a querer, né? Preguiça não era pecado? Heim? Heim?

- Outro plágio mal feito. Nunca falei nada disso de pecado! Eu falei sapecado. Sa-pe-ca-do: chamuscado, levemente assado, que ou aquele cujo pêlo é vermelho-tostado. O povo, além de copiar, distorce tudo. Ô povinho! Dei cérebro a eles nem sei pra quê! Nunca usam...

- Verdade. E isso não desperta as divinas iras não?

- Raiva é departamento do Concorrente, já te falei mil vezes.

- Ah, cala a boca... please. Aumenta o volume aí.

- Sou impalpável, não tenho dedo.

- Aff... Impalpável, Invisível, Incompreensível e Inútil. Deve ser por isso que eu ainda Te amo desse tanto. Inútil super.

- Sem crueldades, tá legal? Esse negócio de "eu te amo" é demais até pra mim, diga pro Papai Noel se você sentir muuuuita necessidade de mentir, pra Mim não, me poupe. Vou aumentar o volume com meus super-poderes. Morra de inveja!


tracy chapman - fast car


- Grazie, Superman!

- Super... o quê? Não teve graça. Nenhuma. E só por causa disso, vou falar sério agora: Engata a ré aí e volta bonitinha pra casa.

- Nem phudendo.

- Vai voltar sim, isto aqui não é democracia, tô mandando, pronto, acabou. E ainda vou ligar pra dupla dinâmica – Remorso e Culpa – e ordenar que te escolte.

- Dizem que todo tirano tem 'O Coiso' pequeno e bobalhão... está embutido em Freud, Seu filhinho.

- Filho bastardo, bas-tar-do. Por favor, sem descer o nível. Vai voltar boazinha, bonitinha, educadinha, caladinha, subservientezinha, sereninha, calminha, pacientezinha, e aprender de uma vez por todas a se resignar. É muito emo ficar revoltadinha por ser usada o tempo todo. Eu te fiz pra isso! Aceite.


* freada brusca *


- Desce.

- Como assim?

- Desce A-G-O-RA! Parou a palhaçada.

- Se eu sair deste carro, desta forma, nunca mais vai chover, tô avisando.

- Que se dane! Eu cuspo pra cima e danço no cuspe mesmo – um amigo me ensinou, he he. É até mais orgânico, o cuspe. DESCE!

- Que porcaria!!! Credo.

- Porco é obra Sua também, só pra lembrar.

- Mas eu vou ficar no meio da estrada a esta hora?

- Pede carona, Mr. Invisível. Ou bate as asinhas...

- Eu sou Deus, não sou passarinho.

- Vazaaaaaaaaaaaaaaaaa!


O carro. A curva. A árvore. A atração impossível. O choque. Sucata e sangue por todo lado. Um mundo avermelhado onde nada pulsa mais. Alívio, enfim.


- Sorry, impulso do Velho Testamento, cê sabe... não resisti. A vingança é Bíblica.

- Hãã? Morri? Eu morri?! Morri pra sempre? De verdade? Sem metáforas, morte morrida mesmo? Ha! Ha! Ha! Finalmente!!! Rá! Ganhei! Hum... delicious! Uhu!!! Demorou... grazie, grazie, grazie!!!

- Os paramédicos já estão chegando, bestona. Ninguém foge de nada. Vai começar tuuuuuuuuuuuuuuuuudo de novo.
Adoro esta parte! (¬¬')

- Sádico.


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4 comentários:

Elis disse...

Oi ... não sei se era essa a intensão, mas eu achei engraçado .. .tem toda aquela carga que só tu consegue largar por cima ... mas me divertiu, na boa!
Bjs
Elis

●๋• disse...

Sempre acontece, Elis...
Minhas tragédias são cômicas e minhas alegrias, melancólicas.
Nasci ao avesso. =/
Bjs.
F.

Rluz disse...

F. (Cher)ri,
a começar pelo preto no branco ao invés do branco no preto que me faz ver linhazinhas pra qualquer lugar que eu olho depois de ter lido seus tragos e tripas; prefiro sim, vir aqui e ler esse diálogo com deus da maneira que eu mesmo falaria com ele.
Adorei! Suassuna teria gostado se não fosse tão velho e limitado no que diz questão 'a referências do nosso dia a dia moderno...

no final de tudo ainda ouço tracy chapman que insiste tocar nesse rádio do seu carro recém esmigalhado.

enquanto os paramédicos não vem, ficamos aqui cada um no seu quadrado e apesar dele não gostar de plagio, eu repito as palavras de Salieri no filme Amadeus:

Grazie Signore ...

Anônimo disse...

munitim demais...
diálogos fortes, nos quais se perbece um adensado efeito do real. Niilismo meio satírico, o que demonstra grande apego à vida real, sempre com a intenção de retificá-la.
muito marcuseano. rsrs

bj do jorge